Professor dos EUA desmonta falácia de Milton Friedman sobre “milagre econômico” do Chile

Crescimento médio do PIB per capita chileno na ditadura foi o menor de todo o período pós-guerra até os dias atuais

Michael Ahn Paarlberg, professor de Ciência Política da Virginia Commonwealth University (VCU), uma das mais antigas dos Estados Unidos, fundada em 1838, ganhou inimigos entre a direita neoliberal em todo o mundo ao desmentir, num artigo publicado em 2014, um dos mitos que essa corrente ideológica usa para fazer sua propaganda.

Na última semana, por conta da passagem dos 45 anos do Golpe de Estado de 1973 no Chile, o texto de Paarlberg voltou a circular e a suscitar a polêmica entre defensores e detratores do regime de terror comandado pelo general Augusto Pinochet.

No âmbito econômico, o governo de fato dos militares chilenos, encerrado em 1990, seguiu a cartilha de Milton Friedman, o guru dos “Chicago Boys” que formularam boa parte do receituário neoliberal que seria aplicado – com fracasso atrás de fracasso – em quase todo o mundo a partir dos anos 1980.

Augusto Pinochet e Milton Friedman

Em seu texto, Paarlberg desmontou completamente as falácias criadas por Friedman em torno do “milagre econômico” do Chile dominado pelas baionetas. O acadêmico chamou esse caso de “uma das maiores falsas narrativas da história econômica moderna”. Para ele, “o milagre que ele (Friedman) supervisionou foi apenas uma série de ciclos de auge e depressão: dois períodos de rápido crescimento que se precipitaram em duas profundas recessões”.

O estadunidense também constatou que as reformas de “livre mercado” que o governo militar promoveu nos anos 1970 legaram ao Chile a segunda mais baixa taxa de crescimento econômico da América Latina, com desemprego atingindo 20%, a pobreza batendo 40% e os salários perdendo 35% do seu valor em 1970.

“O verdadeiro milagre econômico chileno ocorreu depois de Pinochet, sob governos democráticos de esquerda”, escreveu Paarlberg, que aponta como justificativa o crescimento médio do PIB chileno de 2% durante a ditadura, conforme mostra o gráfico abaixo.

Fonte: Klaus Schmidt-Hebbel, Banco Central do Chile.

O professor ressaltou ainda que o crescimento ocorrido naquele período foi baseado nas exportações de cobre que a Codelco – empresa que virou estatal em 1971, no primeiro ano do governo Salvador Allende – realizou. A companhia nunca foi privatizada pelos militares, na opinião de Paarlberg, porque, “por lei, 10% de todo o lucro da mineradora estatal vão direto para o orçamento militar do país”.

A ironia final de Paarlberg no artigo chega a ser cruel com os neoliberais. “Assim, essa história de crescimento baseado nas exportações foi em grande parte devido a um enorme (e enormemente lucrativo) negócio estatal”, debochou o professor, que também é jornalista e colaborador do britânico The Guardian, entre outros veículos.

Rogério Tomaz com informações do portal El Dínamo

 

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